Diogo Piloni e Silva é indicado ao cargo de Secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura

Diogo Piloni e Silva é indicado ao cargo de Secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura

Assessoria de Comunicação 

Por: Grazielle Pinheiro

Especialista em Gestão Portuária pela Universidade Federal de Santa Catarina e Engenheiro Civil pela Universidade de Brasília. Desde 2017, Diogo Piloni e Silva, é Diretor do Programa de Parcerias em Investimentos (PPI) da Presidência da República, do Governo Federal.  

Trabalhou por mais de cinco anos na Secretaria de Portos da Presidência da República, onde ocupou o cargo de Diretor do Departamento de Outorgas Portuárias. Foi Assessor Especial do Ministro da Secretaria de Portos da Presidência da República. Foi Gerente de Desenvolvimento e Estudos na Agência Nacional de Transportes Aquaviários e Coordenador Geral de Modelagem e Outorgas na Secretaria de Portos da Presidência da República.

Em entrevista à ANEINFRA, Diogo Piloni e Silva disse que os principais desafios a serem enfrentados no setor portuário são os relativos a melhoria da gestão dos portos brasileiros. Tanto os portos públicos quanto os terminais de uso privados, têm operadores portuários com eficiência equivalente aos modernos portos do mundo afora. “Precisamos de mais capacidade portuária para a movimentação de mais cargas, principalmente considerando o cenário de crescimento da economia brasileira que é a expectativa daqui para frente. ”

Responsável pelo Setor Portuário no PPI, órgão do governo responsável pelas Parcerias Público-Privadas (PPPs); O PPI captura investimentos privados e coordena os ministérios e agências envolvidos na implementação da infraestrutura brasileira. Piloni avalia que o maior problema não é na operação e sim na gestão dos portos, nas administrações dos portos brasileiros. 

Confira, a seguir, os principais pontos da conversa com o indicado a Secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura.

Em sua opinião, quais são os principais desafios a serem enfrentados no setor portuário? O quão importante é o setor para o Brasil?

Nós temos vários portos públicos brasileiros geridos por administrações públicas e há um espaço de melhorias muito grande, com uma série de ações que prevemos para os próximos quatro anos. O desafio é que a gente tenha uma gestão mais eficiente, mais moderna para as nossas administrações portuárias.

O setor portuário é muito importante para o Brasil, pois movimenta mais de 95% do comércio exterior brasileiro e contribui para o desenvolvimento da atividade econômica brasileira, e além disso, os estados brasileiros que detém portos localizados na costa, concentram cerca de 80% do PIB brasileiro, ou seja, há uma ligação muito forte do setor portuário com a economia, logo o setor portuário deve fomentar e acompanhar o crescimento da economia do país.

Que tipo de medidas podem ser adotadas para o setor portuário do Brasil para os próximos quatro anos? Se adotadas, quais são os impactos dessas medidas para o desenvolvimento do país?

Dentro da linha de desafios do setor que estão voltados para a melhoria dos portos brasileiros nós temos três frentes de atuação importantes – a primeira é dar continuidade ao que está sendo feito – que é um arrojado programa de licitações de arrendamentos portuários, ou seja, abrir novas oportunidades para que operadores se instalem nos portos e que façam investimentos para que sejam ampliadas as capacidades de movimentações portuárias.

Em 2018, foram realizados 19 processos de licitação de terminais portuários, sob gestão do PPI (Programas de Parcerias de Investimentos). Queremos dar continuidade e potencializar essa frente que está dando certo!

A segunda iniciativa é na busca de modelos mais eficientes de gestão para as autoridades portuárias. É a implantação de modelos que prevejam a transferência de papéis de administração portuária para a iniciativa privada.

Vamos estudar com afinco essa alternativa. E é certo que não há solução única, um modelo padronizado: cada administração portuária, cada porto, cada companhia DOCAS precisaria ter um modelo customizado. Mas nossa ideia é já iniciar com alguns primeiros pilotos do que seria esse modelo de concessões de portos organizados, trazendo novos paradigmas, assim como a concessão dos aeroportos trouxe um novo paradigma para o setor aeroportuário e é isso que se espera do setor portuário, que a gente mude o paradigma no que se diz respeito à gestão.

Por último e complementarmente a essas duas iniciativas, nos casos em que a gente não tenha a transferência da gestão para a iniciativa privada, há de se buscar uma melhoria da eficiência das gestões públicas.

Como pretende conduzir a gestão da Infraestrutura Portuária?

Vamos implantar uma gestão que se paute pela profissionalização dos gestores. Escolheremos gestores profissionais, com currículo irreparável, senso ético, visão de interesse público, mas acima de tudo, com visão de mercado, negocial, visão moderna de gestão. Aliado a isso, para que a gente dê condições para que esses novos gestores tenham o sucesso almejado na gestão dessas companhias, vamos implantar um modelo de delegação de competências, porque hoje as competências importantes estão concentradas no atual Ministério dos Transportes e na Agência Reguladora aqui em Brasília. Vamos discutir um modelo de delegação de competências dando mais autonomia para esses profissionais que escolheremos, para que eles possam tocar a área comercial das companhias.

Com essa autonomia, o que se espera é um grande impacto naquilo que é o ponto frágil do nosso setor, que é a gestão dos portos, tendo gestores profissionais com companhias bem geridas, seja pela iniciativa privada, seja pelo poder público. O que se espera é um impacto muito grande com novos investimentos, com segurança jurídica para que novos investidores possam fazer os investimentos necessários nesses portos, e por fim, uma melhoria da qualidade dos serviços prestados por esses portos aos usuários e com isso a redução de custo Brasil, essa é a consequência que esperamos para essa série de ações que vamos tomar.

Não se pode esquecer também da navegação. Em todas as suas modalidades: longo curso, cabotagem, apoio marítimo, apoio portuário e navegação interior. O setor se ressente de não haver uma interlocução clara por parte do Governo Federal. Nós seremos essa interlocução. Para isso, criamos um departamento dedicado ao tema: o Departamento de Navegação e Transportes Aquaviários. O diretor desse departamento “viverá e respirará” o tema da navegação.

Outro ponto que o setor se ressente é da ausência de políticas claras para a navegação por parte do ministério. Teremos muito trabalho a fazer, mas deixaremos um legado, com medidas de curto, médio e longo prazo para a melhoria dessa modalidade de transporte tão importante para o país.

 

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